Por Breno Fernandes S. M. Cruz*
Após nove anos de negociações voltadas à área nuclear o Irã e as seis potencias mundiais (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) firmaram um acordo. Tal feito tem como objetivo limitar as atividades nucleares iranianas e beneficiar o Irã com a suspensão de algumas sanções internacionais. Os demais países do Oriente Médio não sinalizaram satisfação com tal decisão, porém, não se mostraram surpresos, o resultado das negociações já era esperado embora houvesse a resistência por parte de políticos conservadores iranianos e norte americanos.
Trata-se de um acordo preliminar, onde foi discutida uma
série de parâmetros visando beneficiar o Irã em troca da contenção de seu
programa nuclear. A consolidação das negociações enfrentará alguns obstáculos, o
maior deles encontra-se no congresso Norte Americano ainda que se transpareça a
empolgação de integrantes da Casa Branca com as perspectivas do possível
acordo.
Os republicanos presentes na câmara e no senado constituem
maioria parlamentar, os mesmos encontram-se descontentes com alguns passos
tomados pelo governo de Obama e ostentam um posicionamento contrario à firmação
do acordo nuclear. Segundo o senador republicano Marco Rubio: “Essa é uma
tentativa de transformar um fracasso diplomático em um caso de sucesso. E é
apenas mais um exemplo da farsa que é a maneira que o governo lida com o Irã”. Para
o ex-conselheiro do Departamento de Estado dos EUA Joseph DeThomas, um acordo com o Irã
tem se tornado um teste de lealdade para os republicanos.
Obama tenta convencer o congresso norte americano sobre o
acordo apresentando as propostas do mesmo:
· Remover dois terços das centrífugas instaladas e armazená-las sob supervisão internacional;
· Livrar-se de 98% do urânio enriquecido que possui;
· Aceitar que as sanções podem ser rapidamente aplicadas de novo caso do acordo seja violado;
· Dar à Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês) acesso "quando e onde for necessário".
O fim das sanções impactará diretamente a economia mundial,
visto que o Irã detém a quarta maior reserva de petróleo e a segunda maior
reserva de gás natural do mundo. Prevê-se que o Irã feche convênios lucrativos
com empresas de energia, aumentando assim sua produção de petróleo.
O fortalecimento econômico iraniano proveniente do fim das
sanções resulta em certo desconforto no governo Israelense e nos países vizinhos de predominância
Sunita.
O aumento de poder militar por parte do Irã causará uma espécie de corrida armamentista na região, decorrente do desejo e a necessidade de equiparação dos demais países no objetivo de retomar o equilíbrio de poder, garantindo a segurança nacional, porém o resultado pode ser diferente do esperado. "Este acordo não é ruim apenas para Israel, mas também perigoso para o mundo livre", disse o ministro de Ciência e Tecnologia israelense Danny Danon. "Dar ao maior apoiador do terrorismo no mundo um passe livre para desenvolver armas nucleares é como dar fósforos a um piromaníaco."
O aumento de poder militar por parte do Irã causará uma espécie de corrida armamentista na região, decorrente do desejo e a necessidade de equiparação dos demais países no objetivo de retomar o equilíbrio de poder, garantindo a segurança nacional, porém o resultado pode ser diferente do esperado. "Este acordo não é ruim apenas para Israel, mas também perigoso para o mundo livre", disse o ministro de Ciência e Tecnologia israelense Danny Danon. "Dar ao maior apoiador do terrorismo no mundo um passe livre para desenvolver armas nucleares é como dar fósforos a um piromaníaco."
Por outro lado a China e a Rússia demonstram apoio e até
mesmo empolgação com a suspensão das sanções aplicadas ao Irã, visto que o
mesmo é um cliente valioso no mercado bélico.
Será que tal acordo é
a melhor solução para a questão nuclear iraniana?
Se observarmos pela ótica de Obama, essa decisão
significaria em uma redução expressiva nas chances de construção de armamento
nuclear “tornando o mundo mais seguro”, ainda que o fortalecimento econômico iraniano
decorrente do aumento da produção e exportação pudesse resultar em um
fortalecimento militar paralelo, oferecendo risco aos países vizinhos. Nota-se uma visão exacerbadamente liberal por parte do presidente dos EUA, por acreditar que o líder político iraniano estaria agindo de boa fé em busca da reconquista do seu espaço econômico e corrigir os "erros" do passado. Não há espaço para uma injeção de idealismo moderno nesta questão.
Analisando friamente a questão e levando em consideração a
historia que se desenrolou desde os anos de 1950, o Irã apresenta-se como um
país agressivo e perigoso, país este que patrocinou grupos extremistas Xiitas e
movimentos terroristas como o Hezbollah. Israel tem exortado quanto a esta
questão, porque vê no Irã uma ameaça concreta - o país já ameaçou apagar os
israelenses do mapa.
Com o aumento nas exportações de petróleo e gás natural o
Irã disponibilizará de uma quantidade significativa de recursos financeiros,
recursos estes que podem ser aplicados na compra de armamento mais sofisticado
proveniente da Rússia e China, possibilitando um maior financiamento ao
terrorismo e a grupos Xiitas em território saudita.
O acordo prevê a redução da capacidade nuclear iraniana,
porém, não elimina o fato de que o Irã esteja aceitando um acordo a curto prazo
visando fortalecimento econômico e militar para posteriormente dispor de
recursos suficientes, viabilizando prosseguimento
ao seu programa nuclear. São possibilidades que deveriam ser levadas em conta,
analisando as supostas intenções obscuras iranianas em torno de uma restrição
nuclear supostamente “duradoura”.
Provavelmente Obama vê neste acordo uma possibilidade de se
tornar um marco histórico nas relações diplomáticas. Buscar a consolidação de
seu legado por meio da reabilitação do Irã mostra-se uma atitude um tanto inconsequente,
tal ato traz a tona o pensamento de que
os termos acordados não foram analisados de forma que se observasse
eventos futuros, as consequências de um maior poderio iraniano.
São riscos, compete à comunidade internacional manifestar-se
sobre o tema, estender o tempo de negociações para uma análise mais profunda,
colocando em destaque os proventos e riscos de um possível acordo que venha
beneficiar economicamente o Irã. Não negligenciando todo o histórico cultural, rivalidades
e diplomacia do Oriente Médio, que se classifica como um ponto fundamental na
análise das condições constituintes no acordo.
Como tudo começou?
O programa nuclear do Irã veio a público em 2002, quando um
grupo de oposição revelou atividades até então secretas, incluindo a construção
de uma usina de enriquecimento de urânio em Natanz e um reator de água pesada
em Arak. O urânio enriquecido pode ser usado para fabricar armas nucleares, e o
combustível de um reator de água pesada contém plutônio apropriado para uma
bomba.
Posteriormente, o governo iraniano concordou em inspeções da
Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável pela
vigilância nuclear.
Mas a agência não conseguiu confirmar as afirmações do Irã
de que seu programa nuclear é exclusivamente para fins pacíficos e de que não
tem como objetivo desenvolver armas nucleares.
Isso levou os EUA e seus aliados europeus a pressionarem o
Irã a suspender o enriquecimento de urânio - que pode ser usado tanto para fins
civis como para construir bombas nucleares.
No entanto, a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em
2005, interrompeu qualquer avanço nas negociações, e a AIEA levou o Irã ao Conselho
de Segurança da ONU, por descumprir o Tratado de Não Proliferação Nuclear.
BBC, Kevin Connolly (2015), "
Acordo com Irã gera apreensão no Oriente
Médio". Correspondente da BBC News no Oriente Médio.

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