Rearmamento Japonês após 70 anos de restrição


Por Breno Fernandes S. M. Cruz*

Desde o ano de 1945, ano da rendição oficial do império japonês consolidando assim findada a Segunda guerra mundial, o Japão tem até o momento um poderio militar restrito somente à sua auto defesa. Em acordos firmados com norte americanos no fim da guerra, foi estabelecida a proibição de uma força militar ofensiva, sendo um dos principais termos constituintes como condição para receber apoio financeiro dos EUA.
Porém no presente momento este quadro passa por mudanças. O Japão iniciou um processo de modernização militar, levando em consideração a já detenção de um poder marítimo considerável, o que provoca certa apreensão aos países vizinhos que relembram a política imperialista agressiva japonesa anterior ao ano de 1945.
A busca pelo fortalecimento militar japonês foi decorrente de um crescimento da presença militar chinesa, o que se caracterizaria como ameaça a um país vizinho que não matem relações diplomáticas com o mesmo. A ampliação de investimentos no setor bélico não interferiu em sua aliança com o EUA.
A partir do ano de 1945 foi possível notar uma mudança radical na política internacional japonesa, passando de imperialismo expansionista para uma nação pacifista, logo, as atuais mudanças no país não resultam em uma desconfiança ou risco para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
No discorrer dos 70 anos sob restrição bélica o Japão lentamente penetra no campo de ações militares no âmbito internacional, aumentando aos poucos sua esfera de ações, participando de campanhas junto aos norte americanos.
A constituição japonesa após a Segunda Guerra impede que o país utilize da força para resolver conflitos externos, salvo em caso de defesa nacional. O governo do primeiro-ministro Abe está alavancando modificações que revisem as leis vigentes até então, que proíbem os militares do Japão se mobilizar no exterior.
Abe estabelece três condições para possíveis movimentos militares no exterior:
  •      Quando o Japão é atacado, ou quando um aliado próximo é atacado e o resultado ameaça a sobrevivência do país e representa claro perigo ao povo.
  •       Quando não há outros meios apropriados para repelir o ataque e assegurar a sobrevivência do Japão e seu povo.
  •       O uso da força é restrito ao mínimo necessário.


À medida que as mudanças são implantadas no Japão, paralelamente são incitadas controvérsias e desconfiança por parte dos demais países que compõem o cenário asiático, desconfianças estas motivadas pelo passado japonês, isso causa dúvidas quanto às intenções do país em sua expansão militar. O Japão está apenas iniciando sua caminhada, sua aliança com os norte americanos é de fundamental importância para esse “upgrade” na defesa nacional, agindo sob os preceitos e parâmetros estratégicos ocidentais regidos pelo EUA.


O que justificaria a expansão militar japonesa após 70 anos?

O Japão se manteve por muito tempo resignado com sua situação de mero espectador internacional, porém, com a crescente presença militar chinesa houve a necessidade de um fortalecimento para garantir a integridade de sua nação.
Baseando-se na teoria de que o Estado age de acordo com seus próprios interesses a fim de maximizar seus benefícios e aliando ao fato da postura chinesa que matem certa obscuridade quanto a assuntos internos, é natural que precauções sejam tomadas por seus vizinhos.
Tais acontecimentos fundamentam a atitude japonesa que tem como prioridade garantir a sobrevivência e integridade territorial, legitimando seus esforços focados na segurança do mesmo.  Este principio ressalta que as relações entre as nações sempre foram definidas em termos de poder. No entanto, o tipo de interesse das ações políticas varia dependendo de determinado contexto histórico cultural e político, sendo assim os interesses, que tem como base maximizar o poder dos Estados, não são fixos e permanentes.
 É fundamental o equilíbrio na balança de poder regional, o fortalecimento japonês no ponto de vista internacional surge com o principio de evitar a consolidação chinesa como Hegemon local, exaltando a necessidade de equiparação ou até mesmo superação militar japonesa, mantendo a balança de poder de certa forma estável, jamais negligenciando ou subestimando a capacidade do vizinho, pois a natureza humana é a busca racional pela sobrevivência no sistema.



Referencias Bibliográficas:

BBC, Jonathan Marcus (2015). Analista para assuntos de segurança da BBC.


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